segunda-feira, 13 de abril de 2009

Sobre o que sinto

Querido nenê;

Eu não quero voltar no tempo, e nem me esquecer de você bebê, mas devo olhar pra frente, preciso sorver cada gota da minha existência, e aguardar que um dia essa dor se amenize e se torne apenas saudade,saudade de uma época que não vivi com você, mas que me remete a boas lembranças !!!
Essa noite, seu pai dormia um sono gostoso, o único barulho que se ouvia era a respiração dele, que pra mim soava como uma doce canção de ninar, a me ninar.
Olhei para ele ali, parecia uma criança, e logo me veio a mente com quem você se pareceria, se teria a doçura do seu pai dormindo, ou a minha inquietude de não conseguir pegar no sono.
Nesse momento, a certeza não me fugiu, ela veio calma e serena como a garoa num dia frio, e a certeza foi que tendo a doçura do seu pai, ou a minha inquietude, eu queria você em meus braços, queria tê-lo conosco, porque você não era só meu, era nosso, obra minha e do seu pai, de uma dessas noites repletas de amor de um casal feliz e que se ama.
Fechei a janela do quarto, seu pai é espaçoso, me deitei ao lado dele, que logo veio ficar de conchinha comigo, bebe, nós somos muito contrastantes, eu estava coberta e ele sem nada cobrindo-o,e se o cobertor fosse pequeno me daria inteirinho apenas para que eu não sentisse frio,e além dos olhos, eu queria que voc~e herdasse dele essa generosidade.
Fiquei olhando o abajour e suas fagulhas azuis que transmitem uma calma tão gostosa que as vezes chega a doer, e quando estava prestes a pegar no sono, como na época em que eu estava grávida, ele colocou a mão sobre minha barriga.
Me veio você na mente, queria tê-lo dormindo dentro de um berço, ou dentro de mim naquele momento, e não carregar o ventre vazio, e mais que isso, seu pai sussurrou o “eu te amo” de todas as noites, e me lembrei que antes era “amo vocês”.
Continuei deitada, mas me virei, beijei-lhe a testa com a mesma candura que beijaria você, com a mesma ternura e amor que sinto por você embora você não esteja aqui, retribui com um “eu te amo", com a voz meio embargada por pensar nessa saudade de você, me virei novamente e senti que descia uma lágrima quente e amarga, fechei os olhos e vieram mais lágrimas.
Choro sua ausência bebê, e todos os dias desde que você se foi, eu busco um mundo com mais significado pra suprir a dor, e encontro no seu pai a resposta para todas minhas perguntas.
A cada manhã seu pai me tira as nuvens cinzas que pairam sobre minha visão, e me apresenta um mundo mais colorido e cheio de vida, e sem saber ameniza minha dor.
E ele não sabe bebê, mas o olhar dele sobre o mundo melhora o meu !!!

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