sábado, 16 de maio de 2009

Sobre meu pequeno milagre

Não tenho mais pensado na dor, as vezes ela cisma em saltar na minha frente, não há como escapar, apenas me permito senti-la, e sei que dia dia ela diminui, não sei se um dia ela vai embora duma vez, porque dor de morte dói demais, e dói diferente das outras dores, é diferente de tudo.
Não posso me prender no passado, e não me permito isso, sonho novos sonhos, deslumbro novos horizontes e isso faz com que eu aprenda a conviver com sua falta.
Para algumas pessoas milagres são paralíticos andando, cegos vendo, surdos ouvindo, meu milagre é tão pequeno perto disso tudo, mas após tudo que aconteceu consigo dia dia me despir da minha dor e me libertar das amarras que me prendem a ela, pintando-a com cores mais brandas e suaves na aquarela da minha vida, e tá aí, o maior milagre do mundo é ser feliz da maneira que a vida nos permite, porque se o mundo acabar amanhã, eu sei que eu fui feliz a vida inteira,e hoje sou feliz também , mesmo tendo sofrido minhas frustrações e sentido minhas dores.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Saudade

Não é a dor que quero entender, essa dói e pronto, mas queria entender o porque de não ter conseguido mantê-lo dentro de mim, e um dia desses tê-lo em meus braços junto a mim e seu pai.
É isso que eu quero entender, o porque você me foi tirado, o que eu lamento não é você ter me perdido, você teria pais excelentes fosse eu e seu pai ou fosse outro casal tão apaixonado e que te quisesse tanto quanto nós, mas o fato de tê-lo perdido, de saber que tudo que planejei pra voce, pra sua vida, pra nós, jamais deixara de ser plano.
Virão mais dias após o de hoje, mais meses, a vida irá continuar, mas essa dor latejante, que aos poucos se tranforma numa saudade de algo que eu jamais tive, persiste em doer.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Sobre a inveja que sinto

Querido Nenê

Hoje vi uma mulher grávida desfilando na rua, carregando a felicidade dentro do ventre, e me lembrei de quando você morava aqui em mim, que mesmo sendo uma já tive dois corações batendo em meu corpo, me lembrei de quando éramos um e não hávíamos ainda sido separados.
Me doeu vê-la daquela maneira feliz, mas eu sorri porque me senti feliz por ela,tenho uma necessidade em saber que as pessoas são felizes, e essa dualidade que mora em meu peito faz com que eu sinta a vida pulsar veia à veia.
Olhei para o seu pai e sorri, tenho certeza q você iria sorrir com a pureza dele.
Enfim bebê, me doeu, a verdade é que senti inveja da felicidade dela, e tenho procurado em minha cabeça um esquecimento para poder seguir em frente, e encontro em seu pai todo consolo que meu coração precisa em apenas um sorriso.

Sobre a nossa mistura

Querido Nenê

Quando imaginava tê-lo em meus braços, seria mágico, veria em você um pouco de mim, misturado com um pouco do seu pai, e mesmo assim, saberia que você é único e especial !!!
Seria eu e seu pai a admirar o que melhor fizemos juntos, a única coisa que realmente constrímos juntos, e que a vida nos presenteou com vida e ar nos pulmões a chorar e a sorrir, a nos fazer mais felizes.

Sobre o que sinto

Querido nenê;

Eu não quero voltar no tempo, e nem me esquecer de você bebê, mas devo olhar pra frente, preciso sorver cada gota da minha existência, e aguardar que um dia essa dor se amenize e se torne apenas saudade,saudade de uma época que não vivi com você, mas que me remete a boas lembranças !!!
Essa noite, seu pai dormia um sono gostoso, o único barulho que se ouvia era a respiração dele, que pra mim soava como uma doce canção de ninar, a me ninar.
Olhei para ele ali, parecia uma criança, e logo me veio a mente com quem você se pareceria, se teria a doçura do seu pai dormindo, ou a minha inquietude de não conseguir pegar no sono.
Nesse momento, a certeza não me fugiu, ela veio calma e serena como a garoa num dia frio, e a certeza foi que tendo a doçura do seu pai, ou a minha inquietude, eu queria você em meus braços, queria tê-lo conosco, porque você não era só meu, era nosso, obra minha e do seu pai, de uma dessas noites repletas de amor de um casal feliz e que se ama.
Fechei a janela do quarto, seu pai é espaçoso, me deitei ao lado dele, que logo veio ficar de conchinha comigo, bebe, nós somos muito contrastantes, eu estava coberta e ele sem nada cobrindo-o,e se o cobertor fosse pequeno me daria inteirinho apenas para que eu não sentisse frio,e além dos olhos, eu queria que voc~e herdasse dele essa generosidade.
Fiquei olhando o abajour e suas fagulhas azuis que transmitem uma calma tão gostosa que as vezes chega a doer, e quando estava prestes a pegar no sono, como na época em que eu estava grávida, ele colocou a mão sobre minha barriga.
Me veio você na mente, queria tê-lo dormindo dentro de um berço, ou dentro de mim naquele momento, e não carregar o ventre vazio, e mais que isso, seu pai sussurrou o “eu te amo” de todas as noites, e me lembrei que antes era “amo vocês”.
Continuei deitada, mas me virei, beijei-lhe a testa com a mesma candura que beijaria você, com a mesma ternura e amor que sinto por você embora você não esteja aqui, retribui com um “eu te amo", com a voz meio embargada por pensar nessa saudade de você, me virei novamente e senti que descia uma lágrima quente e amarga, fechei os olhos e vieram mais lágrimas.
Choro sua ausência bebê, e todos os dias desde que você se foi, eu busco um mundo com mais significado pra suprir a dor, e encontro no seu pai a resposta para todas minhas perguntas.
A cada manhã seu pai me tira as nuvens cinzas que pairam sobre minha visão, e me apresenta um mundo mais colorido e cheio de vida, e sem saber ameniza minha dor.
E ele não sabe bebê, mas o olhar dele sobre o mundo melhora o meu !!!

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Estar grávida, amar e perder

Ficar grávida, é imaginar-se saindo do hospital somente com o bebe nos braços, de preferência de vermelho para dar sorte, amparada pelo marido, pais e amigos íntimos, chegar em casa, receber visitas para verem seu lindo bebe e conversarem sobre toda via sacra ou não do parto.
Mas algumas vezes não é assim, alias, não foi assim comigo, quando sai do hospital foi de braços vazios, uma mão amparada pelo marido que segurava minha mala e a outra carregando minha bolsa.
Entrei grávida e sai sem bebe algum, deixei ele lá, não porque eu quis, mas porque Deus ou alguma força superior assim quis.
Quando descobri estar grávida, tive um misto de todas as sensações do mundo, todos os pensamentos do mundo, dos melhores aos mais tristes.
Me apeguei muito, chamava meu bebe de “Meu raio de sol”, porque bebes, mesmo antes de nascerem transformam nossas vidas, e se tornam tão especiais a ponto de nos fazerem viver por eles. Era pra ter sido meu primeiro bebe, alias, eternamente vai ser meu primeiro bebe, vou ter mais filhos, mas ele sempre será o primeiro.
Um sábado frio de março, tive um sangramento, ao chegar no hospital o médico constatou que eu estava tendo o inicio de um aborto. Pensei comigo, como assim inicio de aborto ??? Eu fiz tudo certo, não bebo, não fumo, não carrego peso, não me esforço em nada,tenho me alimentado corretamente, tomo rodas as vitaminas necessarias pra ele, sou saudável, meu marido é saudável, somos jovens, sem abortos na família, o que esta acontecendo ??????
Fui internada, e medicada para segurar o bebezinho dentro de mim, para uma ultra-sonografia na manhã seguinte, porque cheguei ao hospital durante a tarde e a ultra seria feita somente no dia seguinte pois já eram mais de cinco horas da tarde.
Alguma coisa dentro de mim martelava meu juízo, dizendo que não estava certo, que tinha algo errado, e sinceramente, acho que mulher sente quando as coisas não andam nos eixos.

Manhã seguinte a fática noticia” há um bebezinho Julia, porem não tem batimentos cardíacos, vamos ter que tira-lo!”

Fiquei desesperada com a noticia, chorava como criança, coloquei a mão na barriga e achei um absurdo meu bebe não ter mais vida, afinal de contas, eu o queria tanto ...
Induziram meu aborto com ocitocina e mais um medicamento via vaginal, um transtorno. Doía sem parar, as contrações uterinas viam em espaços inferiores a meio minuto, a dor partia das costas , tomava toda minha região do abdômen, e por mais que não quisesse me separar do bebe, o corpo fazia força para expelir, porque simplesmente não podia ficar ali.
Foram horas a fio dessa maneira, sentindo essa dor torturante, e nada do bebe sair, as dores eram tão intensas que as náuseas viraram vômitos em poucos segundos. Me olhei no espelho e procurei por aquela Julia sorridente que sempre acha uma explicação obvia e positiva para tudo, porém dessa vez não havia uma explicação racional que me convencesse.
Por fim das contas, tanto sofrimento foi inútil, inútil porque doeu, doeu de vomitar, de suar frio, de tremer, de me fazer perder as forças, doeu de tudo isso, porque era eu fazendo força sozinha, o bebe não ajudava, não tinha vida, infelizmente não havia um coraçãozinho batendo ali, e tudo se resumiu em uma curetagem.
Confesso que quando a medica disse curetagem, eu fiquei com medo, mas a dor era tamanha, que eu queria apenas parar de sentir dor. Entrei em jejum e as 16:50 foi a ultima vez que olhei no relógio, porque dormi como um anjo e não senti nada.
Tiraram meu bebe de dentro de mim.
Se uma curetagem dói fisicamente, não, não dói, a dor é mais profunda, é o coração que aperta e que chora quando eu lembro, porque eu realmente queria aquele bebe.
Após a curetagem soube, que embora grávida de três meses, meu bebezinho havia parado de se desenvolver com dois meses, e que o aborto no fim das contas, seria inevitável.
O problema é uma má formação, e a natureza, sabia do jeito que é, não deixa com que a gravidez vá ate o fim, talvez para poupar a mamãe de mais sofrimento, em talvez parir um bebe que já nasça sem vida, porque tudo é dolorido, mas sendo realista, parir um bebe sem vida, sem expectativa de aconchego nos braços, dói muito, e deve doer mais do que eu sofri, porque eu sei que tem gente que sofreu mais que eu nessa vida.
E eu vim embora, sai do hospital com os braços vazios, amparada pela mao do meu marido, que gentilmente carregava minha mala, e tinha o mesmo semblante de dor que eu,e eu carregando minha bolsa.
Tudo correndo bem, ate que essa semana o sangramento decorrente da curetagem aumentou vertiginosamente de volume, pensei com meus botões novamente que havia algo errado, já era pra estar acabando e não sangrando assim.
No dia seguinte ao dia que o sangramento aumentou, estou eu bonitinha no mercado a fazer comprinhas para meu lar doce lar, quando noto uma mancha na minha calça e sinto o quentinho descendo, olhei ,a manchinha havia virado uma manchona, e como não esquento muito com as coisas, coloquei a bolsa na frente e vamo que vamo, e a mancha aumentando, quando cheguei no caixao espirrei, e não precisou demais nada, pra nada mais nada menos que metade da minha calça cinza ficar cinza e vermelha.
Passei as compras normalmente, afinal de contas, esperei na fila, assim como todo mundo, e quem estivesse incomodado com a minha calça manchada e meu cheirinho de sangue, que saísse dali. Passei as compras e fui embora, mas foi em casa que via proporção doida da coisa, e corri ao medico.
Bora fazer mais um exame de toque pra verificar se meu colo esta aberto ou fechado,e pimba, fechado, mas a medica receosa indicou uma ultra-som.
Vou eu no dia seguinte fazer a ultra, no retorno com a medica dali uma meia hora “ Julia, você vai ter que ser internada pra recuretar!”, e bora internar de novo.
A medica explicou que na primeira curetagem não raspou muito meu útero não, pra evitar machucar, achou estranho que meu útero estivesse tão grande para o pouco material que tinha, e como feto, saco gestacional e demais coisas foram retiradas, o que ficou era sangue, que seria expelido, e foi, mas tiveram que tirar o restante que estava lá.
Resultado, fiquei mais 3 dias no hospital.
Cheguei em casa hoje, estou ótima, e em breve vou ficar grávida de novo pra ter um bebe lindo, gordinho, branquelo como os pais e totalmente saudável.
Se eu tenho medo ??? Infinitos, tenho medo da dor, tenho medo de sofrer uma outra perda, tenho medo de não ser boa mãe, mas principalmente tenho medo de não ser feliz, e se eu não tentar não vai dar pra saber se serei mais feliz ou não.
E eu vou tentar, porque aqui na vida eu to a passeio e eu quero mais é ser feliz !!!

• Resumi bastante mesmo tudo que aconteceu, mas eu suma foi isso.

domingo, 15 de março de 2009

Estar grávida é ...

… ler 50 vezes o resultado positivo do exame para ter certeza que está correto.
… ficar chocada ao saber que uma gestação dura 40 semanas e não nove meses como todo mundo diz por aí.
… se pegar imaginando, por horas a fio, como serão os olhos, os cabelos e a pele do filho que vai chegar.
… torcer, e muuuuuuito, para que ele nasça perfeitinho.
… nunca mais dizer “ai, se fosse meu filho!” quando encontrar uma criança tendo acessos de birra no corredor de um shopping center.
… sair na rua e só enxergar mulheres grávidas.
… ter sono, muito sono.
… esperar ansiosamente pelo dia do ultrassom, e assim que sair de lá, esperar ansiosamente pelo próximo!
… aprender a enxergar o filho nas manchas de um ultra-sonografia.
… ler muito sobre gravidez, pular o capitulo do parto (pois ainda é muito cedo pra se preocupar) e ir direto para os cuidados com o bebê.
… ir ao shopping e desejar apenas coisinhas para o filho.
… torcer para ficar barriguda.
… ficar muito esquisita e descobrir uma incrível capacidade de sentir todas as emoções em uma hora, da alegria descontrolada ao mau humor sem fim.
… acordar várias vezes de madrugada para fazer xixi.
… reparar que seu marido fica muito mais interessante como pai do seu filho e perceber que foi o único homem capaz de te presentear com tamanha alegria

.... rir sozinha ao sentir o bebê mexer, mesmo que ele te acorde várias vezes durante a noite, porque você não esta numa posição confortável para ele. ... acreditar num mundo melhor.